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Coimbra, capital da saúde
Coimbra é um pólo de
concentração de escolas superiores e de serviços
de saúde, um lugar de convergência de serviços
inovadores a nível nacional onde muitos técnicos
de saúde são formados e população imigrante vem
receber cuidados de saúde. Mas na “capital da
saúde” não existe associativismo imigrante
organizado e as populações imigrantes são
invisíveis tanto do ponto de vista social
como do ponto de vista político.
Contactos com instituições
e actores-chave da cidade de Coimbra
evidenciaram a relevância de realizar um
trabalho específico com imigrantes, em especial
mulheres, e com profissionais de saúde, pois as
dificuldades que existem na relação entre os
serviços de saúde e imigrantes são um problema
com que se deparam quotidianamente, não havendo
iniciativas na região Centro para as colmatar.
Destes contactos prévios,
dos estudos realizados sobre a temática e da
anterior experiência do Graal em projectos com
esta população alvo, pode-se aferir que estas
dificuldades derivam, por um lado, de falta de
informação de imigrantes e de profissionais de
saúde relativamente aos direitos das e das
imigrantes. Por outro lado, resultam das
barreiras linguísticas, de comunicação e
culturais, num modelo que tende a supor que “o”
doente/utente é um ser neutro, pensado por
defeito como masculino, de classe média e
português. Por fim, resultam da vulnerabilidade
característica das populações imigrantes, em
especial das mulheres, devido a uma deficiente
inserção comunitária, níveis sociais e
económicos baixos, riscos acrescidos quando são
vítimas de violência, tráfico e exploração
sexual, etc.
Recomendações presentes em
documentos internacionais e nacionais evidenciam
a necessidade de intervenção nesta área:
-
No Programa Operacional
Regional do Centro 2007-2013 afirma-se que
“Na área da saúde, a Região Centro apresenta
indicadores relativamente favoráveis
comparativamente à média nacional, com 26%
dos hospitais existentes a nível nacional” e
que “As actividades ligadas à saúde e acção
social (vertente assistencial, preventiva,
curativa e promotora de saúde), originam
8,2% do VAB regional e detêm 6,4% do
emprego” (produtividade do trabalho superior
à média nestas actividades).
-
No III Plano Nacional
para a Igualdade (PNI)), recomenda-se
“Promover a igualdade de atitudes, entre
mulheres e homens, na procura, no acesso, no
tratamento e no atendimento junto do Sistema
Nacional de Saúde” (Ponto 2.4, Perspectiva
de Género nos Domínios Prioritários de
Política: Saúde),
-
No Plano de Integração
para os Imigrantes (PII) são definidos como
objectivos “Desenvolver parcerias entre
Organizações Não Governamentais, o Sistema
Nacional de Saúde e outras entidades para a
promoção do acesso dos imigrantes e minorias
étnicas à saúde” e “Criar e efectivar
mecanismos de suporte às parcerias com
organizações locais, associações e outros
grupos interessados nas questões das/os
imigrantes, para facilitar o desenvolvimento
da prestação de serviços mais adequados às
necessidades das/os imigrantes.”
Beneficiários
As mulheres imigrantes são,
no contexto do projecto Saudar, as beneficiárias
principais do projecto, que, por serem mulheres
e imigrantes, estão sujeitas a uma dupla
discriminação na sociedade.
Grupos-alvo
O projecto Saudar propõe
envolver simultaneamente população imigrante e
sociedade de acolhimento, nomeadamente
profissionais e funcionários/as das áreas da
saúde, docentes do ensino superior e politécnico
das áreas da saúde, ONG e outras entidades da
sociedade civil, bem como população em geral e
comunidade científica.
Parcerias
-
Salud y Familia
(Espanha, Barcelona);
-
Escola Superior de
Enfermagem de Coimbra;
-
Centro Local de Apoio
ao Imigrante de Coimbra;
-
Associação
Luso-brasileira de Apoio ao Imigrante;
-
outros actores e
instituições-chave da região de Coimbra.
Objectivos
Tendo em vista facilitar o
acesso e a boa prestação de serviços de saúde às
mulheres imigrantes, o Saudar tem objectivos
distintos para cada um dos grupos envolvidos:
Ao nível da população
imigrante pretende-se:
-
Empoderar e promover a
participação activa na sociedade de mulheres
imigrantes;
-
Melhorar o acesso a
cuidados de saúde adequados de imigrantes;
-
Informar e sensibilizar
utentes imigrantes dos seus direitos nos
serviços de saúde.
Ao nível da sociedade de
acolhimento, pretende-se:
-
Sensibilizar para as
questões de género e diversidade cultural;
-
Disseminar instrumentos
/ recursos facilitadores de intervenção na
saúde adaptados à diversidade;
-
Criar uma rede de apoio
institucional.
Processo/Actividades
O SauDar procura trabalhar
de forma interdisciplinar as questões da saúde,
do género e das migrações, unindo saberes e
pontos de vista diversificados na procura de
soluções para um problema comum.
Parte de dados da
investigação e do inventário de saberes e
práticas existentes, privilegiando metodologias
de inclusão e de participação activa de
imigrantes e de profissionais de saúde,
integrando ainda peritas/os e instituições da
zona de Coimbra.
Conta com o apoio de um
“grupo de acompanhamento” constituído por
investigadoras/es das áreas das migrações,
género e saúde, profissionais e docentes da área
da saúde, convidadas a dar o seu parecer sobre
as actividades e avaliar os resultados do
projecto.
As principais actividades
do projecto são:
-
Reuniões com focus
groups (com imigrantes e com profissionais
de saúde) para diagnóstico, análise de
problemas e procura de soluções;
-
Acções de
sensibilização junto de estudantes,
técnicos/as e profissionais de saúde nas
questões de interculturalidade e de género
no quadro dos serviços de saúde;
-
Workshops e seminários
alargados à população em geral para
divulgação de boas práticas;
-
Concepção e
disseminação de meios/recursos de
sensibilização.
Produtos/Resultados
-
Síntese do diagnóstico
dos problemas e das situações de dificuldade
de acesso e de inadequação na prestação de
serviços de saúde às mulheres imigrantes.
-
Síntese das soluções
identificados, incluindo exemplos de boas
práticas a implementar para a prestação de
serviços adequados e diferenciados às
mulheres imigrantes.
-
Recursos para
sensibilização / capacitação de
profissionais de saúde de forma a potenciar
uma intervenção adequada às necessidades da
população imigrante que seja simultaneamente
sensível ao género (kit de boas práticas,
narrativas de experiência, recursos
pedagógicos, documentos informativos).
Contactos
R. Antero de Quental, nº
265, Ed. Avenida, sala 904/05, 3000-033 Coimbra.
Tel. 239 090 370 |
coimbra@graal.org.pt |