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o que é o Graal

O Graal é um movimento de inspiração Cristã, uma comunidade internacional de mulheres vindas de todos os continentes, etnias e culturas, de todas as idades e situações de vida, que juntas procuram o sentido mais profundo de se estar neste mundo. Nessa diversidade as participantes do Graal procuram nas suas iniciativas e acções promover a participação das mulheres na vida social e cívica, convictas de que poderão contribuir decisivamente para que mulheres e homens possam usufruir de uma vida com sentido e qualidade.

Na Declaração internacional da Visão do Graal declaramos que:

Somos chamadas a criar um mundo sustentável, transformando o nosso planeta num lugar de paz e justiça.

Reconhecemos que somos parte da criação global, e esforçamo-nos por viver de maneira simples e por alimentar uma cultura de cuidado para com todo o planeta.

Estamos determinadas em procurar sinais de esperança num mundo complexo.

Somos fortalecidas pela energia, compaixão e a ação criativa das mulheres.

Somos mulheres de várias tradições religiosas, trilhando caminhos espirituais que são fonte de vida. Reconhecemos que em cada um dos países do Graal as nossas expressões de fé, religião e espiritualidade refletem as nossas realidade e culturas. Respeitamos e reconhecemos estas diferenças.

Conscientes das realidades globais que enfrentamos, estamos empenhadas em crescer em conjunto e em aprender umas com as outras, na sua sabedoria, experiência e procura espiritual.

A espiritualidade, enraizada no Cristianismo, vivida pelas mulheres do Graal é fonte que as leva a reunir capacidades e energias para a transformação das sociedades que habitam, em lugares mais alegres, onde seja bom viver:

  • criando contextos e intervindo pelos direitos e deveres de mulheres e homens;
  • trabalhando pela justiça, dignidade, solidariedade e igualdade de oportunidades para todos.

Na Declaração Internacional da Missão do Graal dizemos como “vivemos, nos movemos e exixtimos”(Act 17,28), o que acreditamos e as nossa prioridades:

Suspensas no limiar do século XXI, temos neste momento da História um novo entendimento do estado do mundo. Apanhadas numa teia de crises humanas e ambientais, apercebemo-nos mais claramente da inter-relação de todas as dimensões da vida, sabendo que neste momento já não é possível tratar qualquer problema isoladamente de todos os outros que afetam a vida na Terra.

A Humanidade e a Natureza estão unidas no sofrimento e na ameaça de total aniquilamento. Tudo o que hoje está vivo na Terra luta pela sobrevivência, no meio de uma cultura dominada pela morte. A violência e a guerra, a miséria humana e a extinção das espécies, a pobreza material e espiritual são o legado de séculos de dominação de alguns sobre muitos, dos homens sobre as mulheres, dos seres humanos sobre a natureza. As epidemias estão hoje a varrer o planeta, ao mesmo tempo que a saúde humana é cada vez mais devastada por toxinas impostas sobre o ambiente. Racismo, sexismo, colonialismo, classicismos continuam a existir, assim como os poderes económicos transnacionais não desistem de buscar os seus lucros, sem olhar à destruição que estão a provocar tanto nos povos como nos recursos da Terra.

Temos consciência de estarmos, neste momento da História, numa verdadeira encruzilhada de sobrevivência.

Acreditamos que “desde o começo do mundo até agora toda a criação geme no processo de dar à luz” (Rom.8:22) e afirmamos que uma nova ordem de vida pode emergir das ruinas da nossa realidade atual. Vivemos na certeza de que a presença do Divino dentro da condição humana é inviolável e há-de acabar por triunfar.

Vemos sementes de esperança nas mulheres que, tendo-lhes sido negada plena participação nas sociedades em todo o mundo, mantêm em si o potencial para criarem novos modelos culturais e estruturais.

Vemos sementes de esperança nos jovens que, desiludidos pelas sociedades que herdaram das gerações anteriores, têm a capacidade de procurar formas inovadoras de vida com uma perspetiva global.

Vemos sementes de esperança onde quer que as mulheres e os homens que estão marginalizados resistam a essa situação, se ergam e lutem pela sua transformação, afirmando a coragem e a dignidade humana daqueles que sofrem.

Vemos sementes de esperança na existência de grupos com os quais sentimos uma afinidade de objetivos e com quem podemos colaborar.

Vemos sementes de esperança dentro do Graal, ao procurarmos tornar visível na nossa vida os princípios de uma sociedade de justiça, de paz e de solidariedade.