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O Graal e as suas origens

O nome Graal vem da conhecida lenda medieval europeia que convida a uma demanda constante, na atenção aos sinais dos tempos e aos modos de dar resposta em cada momento e em cada lugar.

O Graal teve o seu início em 1921, na Holanda, num período de grandes mudanças em toda a Europa, após a I Guerra Mundial.

A Holanda conhecia a democracia parlamentar desde 1848, mas será no final do século XIX que a Holanda conhece, entre outras coisas o sufrágio universal (mas ainda não sufrágio feminino) e a liberdade de expressão religiosa. Neste contexto a Igreja Católica emerge na sociedade Holandesa com grande vitalidade e criatividade, sobretudo depois do grande desafio de Pio XI (AA) aos católicos leigos para que criassem associações e intensificassem a sua actividade de missionária a partir dos seus lugares de trabalho e experiencias de vida.

A entrada das mulheres, cada vez em maior número, no mundo do trabalho, a par com o acesso aos estudos superiores e ao exercício de profissões liberais, irá culminar com a conquista do direito ao voto desde 1919, na Holanda.

De algum modo estavam criadas as condições para que diversos grupos, incluindo de mulheres, ganhassem corpo e alargassem o espetro de influencia e de acção, nomeadamente no seio da Igreja Católica.

As guerras, com tudo o que possam encerrar, talharão um novo rumo à Europa, moldarão as relações sociais e políticas, que vão ter impacto nas relações interpessoais, laborais e institucionais, e no esboço de uma nova cultura que contagiará toda a Europa. O espaço público ganhará novas dinâmicas e demandas com a presença e contributo das mulheres.

É neste contexto social e político e de abertura dentro da Igreja Católica, que o padre jesuíta Jaques Van Ginneken, professor na Universidade de Nimegue e um grupo de jovens mulheres cristãs, ali estudantes, decidiram aproveitar as novas possibilidades que se abriam para as mulheres e criar um movimento que assumisse responsabilidades na transformação da sociedade e do mundo.

“E em 1928 e 1929, arrendaram-se casas e apartamentos em Amesterdão, Roterdão e em Haia. Através dos media daquele tempo, de jornais e boletins paroquiais, a mensagem corria: Raparigas e jovens mulheres juntem-se: Vocês são necessárias e podem ajudar a mudar o mundo”. In Grail History de Rachel Donders