Jovens do Sem Sombras em Espanha

Nos dias 9, 10 e 11 de abril, o grupo de jovens do projeto ‘Sem Sombras’ viajou até à Extremadura (Espanha), onde teve a oportunidade de conhecer um pouco desta região e algumas organizações com atuação nas áreas da igualdade e de outras economias.

No primeiro dia, o grupo viajou até Alburquerque, vila onde ficou instalado, tendo começado por conhecer o Coletivo CALA ( Coletivo Alternativo de Aprendizajes ), uma organização que visa promover a transformação social e pessoal através de formas alternativas de aprendizagem em grupo. Durante a sessão, partilhou-se um pouco sobre o trabalho das várias organizações presentes, ouviu-se o testemunho do coletivo de jovens ‘Dispares’ sobre o seu trabalho de consciencialização para a crise climática. O Coletivo CALA dinamizou um workshop sobre o tema da construção da masculinidade, no qual se partilharam as perspetivas de cada um/a sobre a forma como os estereótipos de género moldam e influenciam as nossas vidas e organizam a sociedade.

No dia seguinte, o grupo começou por dedicar a sua manhã à análise, em grupo, da versão final da campanha ‘Salários e Vidas mais iguais’ que tem vindo a desenvolver no âmbito do projeto ‘Sem Sombras’ e, posteriormente, iniciou o processo de idealização e planeamento da apresentação desta ao público. A parte da tarde seria já passada na cidade de Mérida, onde durante algumas horas se percorreram as principais zonas da cidade, testemunhando, assim, as presenças múltiplas que marcaram a história da outrora província romana da Lusitânia.

Para fechar esta viagem, o último dia foi preenchido com uma pequena paragem em Badajoz, onde pudemos visitar e conhecer o espaço do El Prestao, um projeto da Fundação Atabale. Antes de ouvirmos sobre este, tivemos connosco, para a abertura da sessão, alguns membros de uma iniciativa amiga da Fundação, a Asociación Banca Ética, um projeto de democracia económica, sem fins lucrativos, que funciona enquanto entidade de empréstimos de dinheiro para pessoas e iniciativas excluídas do sistema financeiro comercial. Na Banca Ética, não existem juros e todos os membros são considerados proprietários do banco, sabendo, assim, de que forma e para que finalidade é emprestado o dinheiro em circulação. 

Quanto ao El Prestao, um projeto de promoção da sustentabilidade, este apresenta-se como uma “biblioteca de coisas” para toda a comunidade, onde o ‘préstamo’ (empréstimo) se substitui à ‘compra’. Neste local, qualquer pessoa que o deseje pode solicitar o catálogo de items disponíveis e requisitar o objeto ou utensílio de que necessita por um período de tempo acordado, sem quaisquer custos associados. Seja um berbequim para fazer uma obra pontual em casa ou uma tenda de campismo para uma saída de Páscoa, o princípio é sempre o mesmo: antes de comprar, por que não pedir emprestado?.  A base para tudo, dizem, é a confiança recíproca e o reconhecimento do direito de que toda a pessoa deve poder ver respondidas as suas necessidades, independentemente da sua capacidade financeira.

Estes três dias revelaram-se uma experiência de grande estímulo e partilha, onde, através do testemunho in loco, os e as jovens puderam pensar um pouco mais sobre o impacto das desigualdades nas mais variadas formas e conhecer formas de organização da vida e das relações sociais, orientadas por uma lógica diferente. Uma lógica de comunidade, de justiça e de solidariedade, orientada para o objetivo último e imprescindível de preservação do bem comum.

O nosso maior agradecimento a todos e a todas pelos dias vividos, em particular à CALA, à Fundação Atabale e à Asociación Banca Ética pela partilha e amabilidade com que nos presentearam até ao final desta viagem.