No passado dia 23 de abril, o Terraço recebeu a investigadora Sónia Monteiro e o P. Francisco Campos, sj para uma conversa intitulada “Perdoar: um dever? Uma necessidade? Ou uma outra coisa?”.
Tendo-se realizado na semana do falecimento do Papa Francisco, esta sessão assumiu uma relevância ainda maior, ao proporcionar um espaço de reflexão sobre o legado do seu pontificado, tão marcado pela importância do perdão e da misericórdia.
O pensamento da Sónia, guiado pelas pertinentes e estimulantes perguntas do P. Francisco, permitiram pensar no perdão como um processo complexo, que, sendo fundamentalmente pessoal, não pode ser imposto. Perdoar é, portanto, uma proposta que cria a possibilidade de algo novo para o futuro; é um ato criador de novas oportunidades de ser e de estar.
Depois de uma conversa inicial com os convidados, a audiência foi dividida em pequenos grupos e incentivada a refletir em conjunto. Distribuídos por mesas redondas – e, portanto, num ambiente bastante informal e horizontal -, os grupos discutiram sobretudo sobre os limites do ato de perdoar, especialmente perante as atrocidades cometidas em contexto de guerra, que continuam a marcar a atualidade. Em resposta a estas inquietações, Sónia Monteiro explica que o imperdoável não se deve negar, porque também o mal não deve ser banalizado. Em último caso, é a própria pessoa a quem esse mal foi feito que deve estabelecer os limites do seu perdão.
O final da sessão deixou-nos a refletir individualmente sobre as nossas relações – as situações perdoadas e as por perdoar -; sobre as possibilidades que se abrem com o perdão; e sobre a centralidade que o ato de perdoar deve assumir nas nossas comunidades.