A 69ª edição da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW) decorreu entre os dias 10 e 21 de março de 2025. Este ano, o evento marcou os 30 anos da Plataforma de Ação de Pequim e foi um momento para rever e avaliar a sua implementação.
O Graal, com Estatuto Consultivo no ECOSOC Conselho Económico e Social das Nações Unidas, fez-se representar por raparigas e mulheres de vários lugares do mundo. De Portugal, este ano, participaram a Ana Costa, a Ariana Alves e a Rita Lourenço.
A Rita Lourenço partilha connosco a sua experiência:
Entre os dias 10 e 21 de março, tive a oportunidade de fazer parte da delegação portuguesa do Graal e participar na 69º sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, que teve lugar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Durante as duas semanas de Comissão, a delegação do Graal participou em vários eventos e organizou dois: um com a participação de jovens raparigas e outro com as jovens mulheres. Fazendo parte deste último grupo, participei no painel do evento Sacred Activism: Creating Equitable Communities by Exploring Connections between Spirituality and Transformative Action, realizado dia 13 de março. Este foi um momento muito especial, porque permitiu-nos refletir sobre as nossas experiências pessoais, aprender com as vivências de cada uma e demonstrar – pelo menos assim o espero – as múltiplas dimensões que cabem na palavra Espiritualidade. Pode ler-se a minha intervenção aqui.
Refletindo sobre as muitas aprendizagens que fiz, quero destacar a capacidade transformadora da sociedade civil. Ao ouvir tanto representantes das Nações Unidas, dos estados-membros e das várias organizações da sociedade civil, foi mais do que evidente o papel indispensável da sociedade civil no diálogo político. São estas organizações que estão ao lado dos problemas concretos das Mulheres, que impulsionam a mudança e que exigem a transformação a nível político. É, por isso, basilar que as Nações Unidas continuem a abrir as suas portas a estas organizações; aliás, esse é o seu dever.
Paralelamente, tornou-se também claro para mim que a capacidade de resposta da sociedade civil está a ser ameaçada. Vários participantes partilharam as dificuldades que têm encontrado, particularmente em relação à diminuição do financiamento; um fenómeno que não está evidentemente isolado do crescimento da extrema-direita. Dito isto, não posso deixar de mencionar todas as mulheres e raparigas que não conseguiram estar presentes na Comissão, seja por falta de recursos, por não terem conseguido um visto para os Estados Unidos ou pelas condições de violência e destruição em que estão a viver. Em todas as salas em que se discutia temas como, por exemplo, as Mulheres e Conflitos Armados, era inevitável não sentir uma estranheza e inquietação pela ausência de quem vive nestas realidades.
Para terminar, gostaria apenas de referir como foi especial ter sido acolhida na Casa do Graal no Bronx. Todos os anos, as participantes vivem nesta casa em comunidade, o que permite que cada dia seja preenchido por momentos de partilha cultural e crescimento pessoal.
Participar na Comissão sobre o Estatuto da Mulher foi uma experiência verdadeiramente enriquecedora; uma constante troca de conhecimentos, reflexões e esperança por um futuro mais igualitário e livre de violência para todas as mulheres.