Sandra Monteiro no Terraço do Graal | comunicação social, um problema ou um pilar da democracia?
No passado dia 25 de março, ao fim da tarde, realizou-se no Terraço do Graal a sessão “Comunicação Social, um problema ou um pilar da Democracia”, com Sandra Monteiro, diretora da edição portuguesa do Le Monde Diplomatique.
Ao longo da sessão, Sandra Monteiro partilhou uma reflexão crítica sobre o estado atual da comunicação social, defendendo que a crise do jornalismo é um problema de toda a sociedade. Ao sublinhar a importância do jornalismo para a vida democrática, lembrou que o direito de informar e de ser informado está consagrado na Constituição.
Na sua intervenção, deu especial atenção às fragilidades que hoje caracterizam o exercício da profissão. Destacou as difíceis condições de trabalho dos e das jornalistas, problematizou a precariedade, a dispensa de profissionais mais velhos, os despedimentos e a sobrecarga de trabalho, e alertou para as consequências destas condições. Observou também que estas dificuldades não são exclusivas do jornalismo, aproximando-se das que afetam muitos outros trabalhadores e trabalhadoras na nossa sociedade. Neste contexto, chamou a atenção para a forma como as greves são frequentemente tratadas na comunicação social, com maior destaque para os incómodos causados à população do que para as razões que estão na sua origem.
Outro dos temas abordados foi a propriedade dos media em Portugal. Segundo Sandra Monteiro, a concentração da comunicação social em poucos grupos representa uma ameaça à diversidade e ao pluralismo, contribuindo para visões do mundo mais pobres e redutoras. Considerou que, ao contrário do que acontece com a política, a vigilância crítica dos interesses do mercado no jornalismo tem sido insuficiente.
Defendeu também que os órgãos de comunicação social deveriam ser mais claros quanto à sua linha editorial e mais transparentes em relação às suas fontes.
Na análise que fez ao panorama mediático atual, alertou ainda para a tendência de os conteúdos e formatos informativos seguirem cada vez mais a lógica da polarização e do “debate-espetáculo”, por serem mais vendáveis e mais facilmente amplificados nas redes sociais.
Criticou a superficialidade e a falta de contextualização de muitas peças jornalísticas, sublinhando a importância de informar com profundidade e de haver enquadramento histórico, e problematizou a sobrerrepresentação da extrema-direita na comunicação social, considerando que lhe tem sido dada uma visibilidade desproporcionada.
Apesar da dureza do retrato traçado, a sessão deixou também palavras de esperança quanto à possibilidade de agir no presente para transformar um futuro que está em aberto. Neste sentido, valorizou os espaços de encontro e de diálogo.
A conversa contou com várias intervenções do público. A clareza e a vivacidade da comunicação de Sandra Monteiro, bem como a forma atenta e acolhedora como escutou as diferentes intervenções, contribuíram para tornar esta sessão particularmente rica e entusiasmante.
Esta sessão integrou-se no ciclo “Esperança e Resistência”, que continuará a desenvolver-se no Terraço do Graal nos próximos meses.